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sábado, 4 de julho de 2015

Candidatura da oposição passa pela quebra do fisiologismo implantado na gestão petista

(Marcus Ottoni - texto | Foto: Arquivo Blog)
   A deputada secretária Leda Borges (PSDB) não será candidata a prefeita de Valparaíso de Goiás na eleição de 2016. Não caberá a ela a disputa com a atual prefeita Lucimar Conceição (PT) pela chefia do Executivo municipal. O candidato da oposição a atual gestão petista nascerá de um conjunto de alternativas que se alinharão ao projeto de resgate dos valores éticos e morais da gestão pública e do desenvolvimento responsável e coletivo do município com políticas públicas voltadas para o benefício das comunidades e a melhoria da qualidade de vida dos habitantes de Valparaiso de Goiás.
  Leda Borges desfruta, hoje, de uma situação confortável de prestígio político junto ao governo Marconi Perillo e seu projeto político ultrapassa as fronteiras do município que administrou e que lhe deu uma expressiva votação para defender os interesses da população de Valparaíso de Goiás, como deputada estadual, e de todos os goianos como secretária estadual do governo Marconi Perillo, cuja atuação extrapola os limites de qualquer município do entorno do Distrito Federal.
  Essa condição lhe credencia a gerenciar com absoluta tranquilidade a sucessão da prefeita petista Lucimar Conceição e lhe garante gordura de sobra para alinhar sob sua tutela um leque de partidos interessados em mudar a história do município, colocando um basta na desastrosa aventura petista de governar Valparaiso de Goiás. Leda tem plena consciência de que o discurso de gestão da professora do PT Lucimar Conceição tem seu ponto final na apuração das urnas em 2016, quando encerrará o período negro de uma administração comprometida com interesses políticos-pessoais e distante dos anseios da população valparaisense.
Prefeita Lucimar Conceição (PT)

  As defecções do sistema político comandado pela prefeita Lucimar Conceição vem demonstrando descontentamentos pontuais que desenham um quadro crescente de apoio momentâneo com possibilidades de desatrelamento político em 2016, com a proximidade da eleição e de posições eleitorais mais confortáveis junto a uma sociedade que tem demonstrado insatisfação com a atual gestão e que, historicamente, desde a fundação do município há vinte anos, jamais premiou o prefeito com a reeleição para um novo mandato.
  Não é segredo para ninguém que partidos da base aliada da administração petista em Valparaíso de Goiás estão se aglutinando em torno de pseudos líderes independentes para trair a prefeita, usufruindo dos cargos comissionados onde incubam seus correligionários até o momento de dar o grito de independência numa postura de assepsia política-administrativa e num “mea-culpa” tardio com a negação de tudo que se fez enquanto agregado do PT e beneficiado com recursos públicos para seus correligionários. Algo como a crônica da traição anunciada. Ou traindo a prefeita Lucimar Conceição, ou traindo a sociedade que acreditou num projeto renovador, mas que, na verdade, é apenas o “quero mais, se não eu grito e rompo politicamente”.
  De acordo com a mais influente porta-voz da gestão petista no município, a secretária Cynthia Borges, a oposição vive uma “crise sem um nome para enfrentar a prefeita Lucimar”. Visto pelo lado da situação até que soa como verdadeira e, analisando jornalisticamente, tem seu fundo de verdade. Não há, nesse momento, qualquer candidato da oposição que possa enfrentar e derrotar a prefeita Lucimar nas eleições, mesmo ela tendo uma rejeição popular de 90% em Valparaíso de Goiás. Não há qualquer visibilidade de uma candidatura nesse momento, nem nos próximos meses.
  A fogueira de vaidades que queima na oposição está cegando os potenciais candidatos para o enfrentamento eleitoral de 2016, tirando do foco a necessidade da construção de uma alternativa que possa edificar uma candidatura capaz de unir todos os segmentos políticos e empresariais em desacordo com a atual gestão municipal, pavimentando um caminho positivo para o debate sobre qual município se quer tirar das urnas em 2016.
  O que se vê hoje em dia nos bastidores da política local é um sem fim de auto afagos partidários com atenuantes de ilusionismos predatórios de uma composição político-partidária necessária para a construção da alternativa de  gestão municipal que una a oposição e possa configurar para a sociedade uma opção de vanguarda,  comprometida com o desenvolvimento sustentável, com  a implantação de políticas de melhoria da qualidade de vida dos habitantes do município e, sobretudo, com o rompimento das velhas práticas políticas condenadas pela sociedade.
  Os partidos de oposição precisam sair dos “guetos” em que se meteram por livre iniciativa de seus dirigentes e ocupar um lugar de destaque na condução das alternativas de gestão pública para Valparaíso de Goiás. O discurso radical ou  o denuncismo irresponsável ancorado pela imprensa chapa branca coordenada pelos  poderosos que detém o Poder Público no município, é inconsequente, imaturo e negligente com a situação atual e com as mudanças necessárias para a implantação de um novo modelo de gestão pública.
  Fora disso, é discursar para o umbigo e bater palmas para doido dançar valsa.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Sucessão municipal: PT, PSDB e quem mais?

(MARCUS OTTONI - jornalista)

  A sucessão da prefeita Lucimar Conceição (PT) em Valparaíso de Goiás deverá terminar numa disputa eleitoral entre três candidatos, não mais do que isso. O leque de alternativas nesse período pré-eleitoral faz parte do jogo político de valorização pessoal e segue a máxima da “fogueira das vaidades”, onde vale mais quem mais tem visibilidade, ou seja: quem mais aparece mais chances tem de fazer um bom acordo político e garantir espaços numa coligação partidária. Muitos que hoje se arvoram a candidato a prefeito de Valparaíso, querem mesmo é disputar uma vaga de vereador na Câmara Municipal.
Dentro dessa visão carreirista surgem movimentos cujo objetivo principal é tornar o partido ou o político a “bola da vez” numa vitrine fragilizada por diversos fatores e que geralmente se transforma num caminho que vai do nada a lugar nenhum. Assim, as tais famosas “frente partidária” tão comuns nesse período que antecede as eleições municipais são criadas, navegam por algum tempo no imaginário de seus idealizadores e morrem bem antes de cristalizar qualquer projeto majoritário sério de alternativa político eleitoral para a sociedade. 
  O que se vê hoje é a engenharia política dos partidos elaborando suas estratégias de fortalecimento para cooptar os chamados partidos satélites e ajudar a eleger os candidatos dos partidos considerados “tubarões” no oceano da política. Embora hoje haja no universo político de Valparaíso mais de uma dezena de candidatos a cadeira ocupada pela prefeita petista na administração municipal, o funil irá restringir a disputa a apenas três candidatos com reais chances de sensibilizar o eleitorado local. O que sobrar da peneira majoritária será acomodado nas chapas proporcionais dos partidos nas coligações eleitorais.
No palco sucessório municipal em Valparaíso de Goiás é indiscutível a polarização do PT, da prefeita Lucimar Conceição e da presidente Dilma Rousseff, com o PSDB, da ex-prefeita Leda Borges, do governador Marconi Perillo e do senador Aécio Neves. Essa disputa interessa não apenas aos candidatos, mas fundamentalmente aos partidos que com o maniqueísmo afastam qualquer concorrência indesejada na briga entre os “irmãos siameses” da política brasileira: PT/PSDB. São duas máquinas bem estruturadas e com muita “bala na agulha” para brigar voto a voto na eleição de 2016.
  A alternativa eleitoral será uma candidatura desalinhada do maniqueísmo político PT/PSDB que possa comprometer o eleitor com um novo modelo de gestão, livre dos penduricalhos e acessórios viciados dos dois partidos que apostam no jogo do bem contra o mal, do melhor versus o pior, do honesto contra o corrupto, da direita brigando com a esquerda, do avanço contra o atraso e por ai vai a montagem da farsa entre os cordões azul e vermelho. Mas uma candidatura séria com respaldo financeiro que não concorra à eleição apenas para marcar território ou para massagear egos desafetos ou ganância inescrupulosa dos corruptos.
  Alguns integrantes da “frente partidária” montada pelo PCdoB não tem como assumir uma candidatura alternativa de confronto ao PT por razões óbvias que somente eles fingem não ver. O PCdoB que ensaia uma “rebeldia consentida” da administração Lucimar Conceição, integra o governo municipal e se propõe a mudar a forma de gestão combatendo o atual modelo sem largar as tetas do município. Assim também age o PROS que desfruta de cargos no governo municipal, mas prega outra forma de governar diferente do método da atual prefeita. Ambos estão visceralmente ligados à administração do PT local, cuja leitura da “rebeldia” nos leva a concluir que tudo não passa de uma crônica da traição anunciada. 
  O PPS não tem muito futuro porque seus dias como partido político estão contados e acabam no próximo dia 20 deste mês quando se consolida a fusão com o PSB, pondo um ponto final numa candidatura instável e inconsequente apresentada à sociedade com um discurso raivoso e antiquado sem consistência eleitoral, além de não ter qualquer respaldo financeiro que possa dar fôlego a uma candidatura majoritária. O PMDB é uma incógnita no jogo da sucessão municipal e, provavelmente, deverá atuar como coadjuvante de outro partido dentro das duas grandes coligações que se formarão com o PT e o PSDB. O Democrata, que se apresenta tanto como oposição ao PT do governo federal, como ao PSDB do governo estadual, não dispõe de um nome que possa atrair o eleitorado para uma candidatura alternativa capaz de derrotar, no município, seus dois adversários de uma única vez. 
  O PSB, que navegou em mares turbulentos na ultima eleição, também deixará de existir como sigla partidária no próximo dia 20, mas continuará sendo o ancora da fusão com o PPS e o principal partido da nova sigla. O atual discurso do PSB, que será o mesmo da nova legenda, prega o rompimento com o maniqueísmo PT/PSDB e, dependendo da construção do arco de alianças fora do universo da polarização entre Lucimar e Leda, poderá se constituir na alternativa viável para a sociedade em 2016, com uma candidatura majoritária de nível e capacitada para exercer a administração municipal em consonância com as necessidades do município e queconheça a fundo os problemas que serão enfrentados e suas soluções para melhorar a qualidade de vida da população de Valparaíso.
  Nessa ordem, a sucessão municipal deverá colocar na disputa eleitoral em 2016, a própria prefeita Lucimar buscando sua reeleição pelo PT com a possibilidade de ter o comunista Iraquitan, do PCdoB, como vice; uma chapa apoiada pela ex-prefeita e atual deputada secretaria Leda Borges compostapelos vereadores Pábio e Afrânio; e uma candidatura ancorada pelo partido oriundo da fusão PSB/PPS, cujo nome será alvo de debate num leque com nomes como Antonio Reis, Elson do Varejão ou o ex-controlador  geral do município o advogado José Zito do Nascimento, com adesão de partidos realmente alinhados com a oposição a polarização PT/PSDB. A construção deste cenário eleitoral já está em andamento e deverá por um ponto final em vários pré-candidatos a prefeito que hoje desfilam pela cidade como se já houvessem sido aprovados pelas convenções partidárias.